Documento de identidade falso sustenta fraudes que vão da abertura de conta em banco à venda de imóvel por falso procurador. Quando a fraude estoura, alguém precisa provar que aquele RG ou aquela CNH nunca saiu de órgão emissor nenhum. Esse é o terreno da documentoscopia.
Por onde o exame começa
O perito não parte da foto nem do nome. Parte do suporte e do processo de impressão. Documentos oficiais brasileiros saem de gráficas de segurança com técnicas que equipamento doméstico não reproduz. A primeira pergunta do exame é se o processo gráfico daquele exemplar corresponde ao processo do documento legítimo da mesma série e do mesmo período. Uma CNH impressa em jato de tinta comum já responde metade do problema.
Os elementos que o falsário raramente acerta
Os fundos de segurança são desenhados com linhas finas e contínuas que a impressora doméstica converte em pontinhos visíveis à lupa. As microletras espalhadas pelo leiaute viram borrões na falsificação. Elementos fluorescentes respondem à luz ultravioleta em posições e cores definidas, e a falsificação ou não responde ou brilha onde não devia. Nas CNHs emitidas a partir de 2017 há ainda o QR code, que aponta para os dados do prontuário do condutor e desmonta a fraude em segundos quando o conteúdo não confere com o impresso. A nova carteira de identidade nacional segue a mesma lógica de validação eletrônica.
Existe também a fraude mais silenciosa, a do documento autêntico adulterado. Troca de fotografia, raspagem de dados e reimpressão sobre suporte legítimo deixam vestígios físicos, como desalinhamento, dano na camada de proteção e diferenças de tinta que o exame revela com iluminação adequada e ampliação.
Documento suspeito na sua mesa. E agora
Guarde o documento como está, sem plastificar e sem manusear mais do que o necessário, porque o estado físico é parte da prova. Empresas que recebem documentos de clientes com frequência podem estruturar uma rotina de análise documental preventiva. Quem já foi vítima pode instruir o boletim de ocorrência ou a ação judicial com um parecer técnico extrajudicial que documente os vestígios encontrados.
Para entender como esse resultado vira prova dentro do processo, leia o artigo sobre o que é laudo pericial.
William Lopes Veiga é o perito responsável pela WV Perícias Técnicas, com formação em perícia judicial, grafotécnica, documentoscopia, avaliação de bens móveis e investigação de usucapião. Atendimento em todo o Brasil.
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